2007 - Será o ano dos killifishes ?
Depois de 14 anos em tramitação, Projeto de Lei da Mata Atlântica é aprovado pelo presidente Lula e traz nova esperança na luta pela recuperação do bioma
Em tramitação desde 1992, o Projeto de Lei da Mata Atlântica (PL 3285/92), apresentado pelo ex-deputado federal Fábio Feldmann foi sancionado, mês passado, pelo presidente Lula, durante solenidade concorrida no Palácio do Planalto. Sua aprovação, em novembro último, na Câmara dos Deputados, foi resultado de um amplo acordo partidário, que pôs fim a uma negociação de 14 anos no Congresso Nacional.
Lula atlântico -a nova lei consolida os limites da Mata Atlântica, atribui função social à floresta e estabelece regras para seu uso. É um marco importante na preservação do bioma, já que com ela será mais fácil proteger a Mata Atlântica, o mais ameaçado de todos os biomas brasileiros. "Para expandir a fronteira do futuro, para que o novo não seja a reiteração do antigo, é necessário renovar a compreensão sobre nós mesmos.
Para tanto, é indispensável ouvir a voz da história. Nada poderia ser mais simbólico desse aprendizado humano do que encerrar o ano de 2006 sancionando uma lei que paga uma dívida com as nossas origens", disse o presidente Lula, logo após a sanção da lei. "À riqueza original da Mata Atlântica incorporou-se um valioso alarme histórico.
Trata-se do mais eloquente e pedagógico alerta sobre um caminho que não devemos, não podemos e, sobretudo, não precisamos mais repetir", salientou. Segundo Lula, é preciso aliar produção de riqueza e preservação da natureza para garantir o futuro de um povo. Para ele, não é possível dissociar o destino da natureza do destino da sociedade e de seu desenvolvimento.
"Chico Mendes não era contra o progresso que leva saúde, educação, oportunidades, empregos e renda às populações mais pobres e isoladas do nosso território. Tampouco a irmã Dorothy Stang pregava o isolamento idílico das comunidades indígenas da Terra do Meio. Ambos se opunham, na verdade, à lógica excludente que faz do progresso uma pista de mão única, na qual o povo é mantido como viajante cativo da segunda classe e a natureza se transforma em carga ilegal no vagão clandestino".
Lula citou os avanços da área ambiental nos últimos quatro anos, mencionando, além da Lei da Mata Atlântica, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, em fase de regulamentação, e na queda do desmatamento da Amazónia por dois períodos consecutivos, que resultou na redução de 52% da taxa acumulada de desmatamento. "Provamos que é possível reconciliar os sistemas produtivos com as aspirações humanistas igualitárias e ecológicas do nosso povo e do nosso tempo. É o que a nossa querida ministra Marina tem feito com equilíbrio e firmeza". De acordo com Lula, deve-se à ministra uma mudança importante no vocabulário ecológico do país: a substituição da expressão "não fazer" pela expressão "como fazer".
O presidente ainda chamou a atenção para o funcionamento do sistema de licenciamentos ambientais no país. "No Brasil, habitualmente, se fazia projeto, contrato, licitação e, depois que a obra estava pela metade, buscava- se a licença prévia do empreendimento. Daí, quando era concedida a licença, quem pagava o pato eram aqueles que defendiam o meio ambiente, que queriam preservar. Isso, no nosso governo, acabou", argumentou.
JB Ecológico - Janeiro de 2007
Marcadores: Aquecimento global

1 Comments:
O presidente Lula não pode esquecer de contratar pessoal para fiscalizar a aplicação da lei.
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